Os cemitérios podem ser um risco potencial para o meio ambiente. No Brasil esse é um risco ainda mais alto, considerando que grande parte dos cemitérios foram construídos em lugares de baixo valor imobiliário e sem quaisquer usos de estudos geotécnicos prévios.
O Conselho Nacional de Meio Ambiente possui duas resoluções que determinam como devem ser os aspectos construtivos dos cemitérios. Esses empreendimentos são os locais em que o processo de decomposição do cadáver acontece, e nele é liberado o necrochorume, líquido composto por água, sais minerais e substancias orgânicas, responsável pela contaminação do solo e aquíferos subterrâneos, o que coloca em risco a população que mora em torno desses empreendimentos.
Por isso, é necessário ficar atento a diversos pontos na gestão dos cemitérios para não incorrer em crime ambiental e prejudicar a comunidade vizinha. Confira:
Respeite a legislação vigente
De acordo com a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente nº 335, de 3 de abril de 2003 – Publicada no DOU no 101, de 28 de maio de 2003, os cemitérios horizontais e verticais a serem implantados no Brasil precisam ter licença ambiental para funcionarem. Essa resolução estabelece critérios mínimos que devem ser integralmente seguidos na confecção dos projetos de implantação, como forma de garantir a decomposição normal do corpo e proteger as águas subterrâneas da infiltração do necrochorume. A resolução nº 368, de 28 de março de 2006, traz algumas alterações da norma anterior. O não cumprimento dessas resoluções implica em sanções penais e administrativas.
Mantenha a manutenção em dia
A manutenção frequente é o que mantém íntegra a estrutura do cemitério. É essa ação que vai garantir que o cemitério se mantenha em conformidade com os requisitos da legislação vigente. A manutenção deve ocorrer durante todo o ano e as equipes devem observar qualquer sinal diferente no solo ou nos afluentes perto do cemitério, além de também administrar o recolhimento de lixo e possíveis focos de acúmulo de água, que podem gerar a proliferação do mosquito da dengue.
Trate o necrochorume
É fundamental que se estude e busque alternativas para o tratamento de necrochorume para que seu empreendimento não impacte negativamente o meio ambiente. Soluções definitivas ainda não existem, mas elas já ajudam a dar uma maior segurança ambiental. Uma delas é o Filtro Biológico que é muito utilizado em cemitérios parques. Antes de instalá-los, deve-se aplicar uma manta impermeabilizante abaixo dos túmulos para proteger as águas subterrâneas da contaminação pelo necrochorume. Em seguida, são instalados drenos para coletar e conduzir o líquido até os filtros biológicos.
Outro método comum são as pastilhas e mantas absorventes. As pastilhas são bactérias consumidoras de matéria orgânica sintetizada. Já a manta consiste em um plástico impermeável que fica situado no fundo do túmulo ou urna. Essa manta possui uma camada de celulose em pó que, quando entra em contato com o necrochorume, transforma-se em um gel que irá reter o líquido e impedir que o mesmo extravase.
Invista em opções sustentáveis
A cremação é uma alternativa sustentável. Tem a vantagem de não ocupar espaços territoriais e não causar a contaminação das águas e do solo diretamente. Ela ocorre a temperaturas em torno de 900°C e não libera fumaça em seu processo, pois os gases liberados pela queima são capturados e filtrados. Dessa forma, é a solução póstuma de menor impacto ambiental, pois não gera resíduos com potencial de contaminar o ambiente, tanto no solo quanto na atmosfera.
Há ainda a opção de cemitérios verticais, onde os corpos são depositados em instalações que se assemelham a edifícios e oferecem a facilidade de menor espaço físico, ausência de interferência do necrochorume e resíduos nas águas subterrâneas. Esses locais também possuem baixa exigência quanto ao tipo de solo, facilidade de sepultamento e possibilita visitas em dias chuvosos.
